quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O clamor da blogosfera em Copenhague


...O que vai virar do passado?
(E de nós?)
E os mares?
(E de nós?)
O céu está caindo
(E de nós?)
Não consigo nem respirar
(E de nós?)
E a terra sangrando?
(E de nós?)
Não conseguimos sentir as feridas?
(E de nós?)
E o valor da natureza?
(ooo, ooo)
É o ventre do nosso planeta
(E de nós?)
E os animais?
(E de nós?)...

A amiga Silvia Masc me enviou o vídeo e, confesso, é de arrepiar, tanto a saudade de Michael Jackson e sua genialidade musical como o tema abordado, que tem tudo a ver neste momento em que as discussões e jogo de empurra dos países mais poluidores do planeta para não se comprometerem em reduzir suas emissões traz ao nosso mundo um risco cada vez maior à nossa sobrevivência.

Mais um assunto para que a blogosfera ganhe e mostre força, se encha de posts e faça chegar à Copenhague nossa manifestação virtual e que é prá lá de real. Por isso convoco a todos que se unam a este clamor, quem sabe possamos fazer mais com esta possante ferramenta que temos ,
do que estes políticos que não resolvem de vez o problema.


Vejam a brilhante matéria de Suzana Padua (aqui) - doutora em educação ambiental, presidente do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, membra do Wildlife Trust Alliance e fellow da Ashoka.

Agora, ouçam e sintam a mensagem tocante da linda música que MJ fez e nunca foi lançada como single nos Estados Unidos - Earth Song - clipe filmado na África, Amazônia, Croácia e New York.




terça-feira, 17 de novembro de 2009

Como calar uma blogueira ... em Cuba.



No ano passado falei aqui neste post sobre Yoani Sanchez. Não só a apresentei, como intercedi por ela, por julgar que uma pessoa, mulher como eu, frágil em sua aparência, moradora do último país que ainda não acordou para a democracia e que subjuga seu povo e humilha pessoas como ela, criativa e inteligente e que corajosamente, através de um blog, ferramenta simples e ao mesmo tempo poderosa que nós também usamos, narra o dia a dia na ilha de Cuba, reduto do imortal Fidel Castro e perpetuada na truculência por seu irmão, não menos impiedoso Raúl Castro.

E volto a falar dela, depois da reportagem que a Revista Veja mostrou nesta última edição e que me chocou enormemente, pois a mesma encontra-se de muletas e com o rosto completamente inchado e vermelho, devido ao sequestro e uma covarde surra que a polícia cubana lhe aplicou no dia em que a comemoração da derrubada do Muro de Berlim era celebrada em todo o mundo.

(Yoani Sánchez, em casa, depois de ser agredida: “Durante vinte minutos, nos espancaram sem parar”)


Precisamos divulgar este fato tenebroso, não só pela truculência desses homens violentos, mas pelo direito que ela, Yoani, tem como todos nós, de andar livremente pela Web e se expressar, contar ao mundo como é viver dentro daquele sistema e acima de tudo porque a matéria-prima do seu trabalho é a realidade cubana e que não faz mais sentido ser escondida do resto do mundo. Tolerância e liberdade parecem palavras inexistentes naquela ilha dos Castro.

Abaixo a reportagem da Revista Veja:

“Não era uma sexta-feira qualquer. As comemorações do vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim se aproximavam e um grupo de jovens artistas cubanos planejava uma passeata contra a violência naquele dia. A tarde era cinza em uma cidade onde quase sempre brilha um sol inclemente, que nos faz caminhar colados às paredes para nos beneficiarmos da sombra. Estavam comigo Claudia Cadelo e Orlando Luís Pardo, dois autores de blogs que recebem milhares de visitas a cada semana. Enquanto andávamos, contei a eles sobre uma desconhecida que, dias antes, havia se aproximado e me perguntado: “Você não tem medo?”, em referência, claro, ao fato de que digo livremente minhas opiniões em um país onde o governo detém o monopólio da verdade. Meus amigos sorriram quando narrei a eles a resposta que dei à transeunte angustiada: “Meu maior temor é ter de viver com medo”. Não imaginava que em poucos minutos eu viveria o terror de um sequestro e enxergaria o rosto da impunidade policial em sua forma mais dura.

Eu caminhava pela Avenida dos Presidentes, em Havana, com a intenção de participar da demonstração pacifista convocada pelos jovens. À altura da Rua 29, a uns 300 metros de onde estavam os manifestantes, um carro da marca Geely, de fabricação chinesa, cor preta e placa amarela, de uso privado, parou diante de nós. Três homens em trajes civis nos mandaram entrar no automóvel. Não se identificaram nem mostraram um mandado de prisão. Eu me recusei a obedecer. Disse que, como não tinham ordem judicial, seria um sequestro. Depois de uma breve discussão, um deles chamou alguém pelo celular, pedindo orientações. Imediatamente, os três começaram a nos tratar com violência para que entrássemos no carro. Enquanto nos empurravam, os homens do automóvel negro usaram o celular outra vez e uma viatura da polícia se aproximou. Pensei que os policiais nos salvariam. Pedi ajuda a eles, explicando que estávamos sendo atacados por supostos sequestradores. Os homens que estavam à paisana então deram ordens aos policiais para levar Claudia Cadelo e outra amiga que estava conosco. Eles obedeceram e ignoraram o pedido de ajuda que eu e Orlando fazíamos. As pessoas que observavam a cena foram impedidas de prestar ajuda, com uma frase que resumia todo o pano de fundo ideológico da cena: “Não se metam. Eles são contrarrevolucionários”. Fazendo uso de toda a força física e de um evidente conhecimento de artes marciais para nos dominar, obrigaram-nos a entrar no carro. Comigo empregaram especial violência, enfiando-me de cabeça para baixo e me mantendo imobilizada com um joelho sobre o peito.

Dentro do veículo e durante cerca vinte minutos, os sequestradores nos espancararam sem parar. Frases de mau presságio saíam da boca daqueles três profissionais da intimidação: “Yoani, isso é o seu fim”, “Você não vai mais fazer palhaçadas”, ou “Acabou a brincadeira”. Achei que não sairia viva. Tentei escapar pela porta, mas não havia maçaneta para acionar. A certa altura, o carro parou. Eu já tinha perdido a noção do tempo. Do lado de fora, caía a noite. Finalmente, ambos fomos jogados em plena via pública, longe do lugar onde se realizava a passeata contra a violência.

Por causa dos golpes desferidos por esses profissionais da repressão, estou com a face esquerda inflamada. Tenho contusões na cabeça, nas pernas, nos glúteos e nos braços, além de uma forte dor na coluna, que me obriga a caminhar com muletas. Na noite de 7 de novembro, um sábado, fiz uma consulta médica, mas não quiseram redigir um exame de corpo de delito sobre os maus-tratos físicos. A médica teve de me atender na presença de um funcionário que estava ali apenas para me vigiar. Uma radiografia mostrou que não havia traumas internos, apesar dos sinais exteriores das pancadas. Recebi apenas algumas recomendações para minha recuperação.

Eu já me sinto fisicamente melhor e desde sexta-feira tenho uma ideia constante. As autoridades cubanas acabam de compreender que, para silenciar uma blogueira, não podem usar os mesmos métodos com os quais conseguiram calar tantos jornalistas. Ninguém pode despedir os impertinentes da web nem lhes prometer umas semanas na Praia de Varadero ou presenteá-los com um Lada. Muito menos podem ser cooptados com uma viagem para o Leste Europeu. Para calar um blogueiro, é preciso eliminá-lo ou intimidá-lo. Essa equação já começou a ser entendida pelo estado, pelo partido e pelo general.”

(VEJA – 18/11/2009)







Um dia para celebrar

(Daniel Ely no trenzinho de Conservatória-RJ-1991)


(Heitor Villa Lobos-foto CBN-Rio)

Hoje comemoramos os 50 anos de morte do grande criador musical brasileiro e que arrecada até os dias atuais os maiores direitos autorais no exterior. Heitor Villa Lobos, - o Villa -, é executado em centenas de cidades por este mundo afora. Quem não se lembra do famoso O Trenzinho do Caipira, parte integrante da peça Bachianas no.2? Ouçam e sintam a emoção deste lindo arranjo e quanto colorido e movimento há nesta orquestra que imita o som de um trenzinho avançando pelos trilhos das ferrovias deste imenso país.



Lá vai o trem com o menino Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra,
vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar…

Ele deixou mais de 1000 obras em sua discografia e o mundo segue reverenciando este grande maestro que dizia sobre si mesmo: “Sim, sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música eu deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e dos nossos céus, que eu transponho instintivamente para tudo que escrevo.”

Um gênio a ser lembrado e reverenciado para sempre!


E hoje também, dia 17 de novembro, comemoramos o aniversário de vida da querida Lucinha, minha web-filha que mora lá em Pittsburgh e é uma flor de pessoa e grande amiga, todos os dias trazendo Novidades lá em seu blog bacaninha. Muitos anos de vida e saúde para você, querida Lúcia e um Feliz Aniversário!




E como é um dia perfeito para celebrar, temos mais três grandes estrelas da blogosfera que também aniversariam hoje. A querida e gentil Heloísa em Santos, e a luz que brilha em Cabo Frio Luma e a bondade e beleza de coração que é a Kálita em Goiânia.

Parabéns e felicidades a vocês queridas amigas!
Que dia glorioso!





segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Aprender a morrer antes de morrer


Presumo que todos as pessoas que têm animais em suas casas, principalmente os de estimação, sofrem muito com a ausência do mesmo quando se vai. E comigo não está sendo diferente, pois desde a sexta-feira que a toda hora me vem a imagem da Emmy à cabeça e algumas lembranças dela no decorrer de sua vida lá em nossa casa. Tanto é que neste final de semana, vez ou outra eu tinha impressão que algo caminhava lá fora pela grama ou se fazia algum barulhinho diferente na parte de trás da casa, onde ela gostava de se embrenhar por uma encosta em meio às plantas e arbustos, pensava logo que era ela andando por ali, mas era só impressão ou podia ser um outro bichinho silvestre que é bem comum por aquelas bandas de florestas.

Fiquei triste mesmo e sinto como se tivesse faltando algo naquela casa agora, mas não vou substituir a falta que ela me faz por outro cão, afinal eu tenho consciência de que não é bom deixar um animal sozinho, sem companhia diária de gente numa casa grande. Prefiro deixar como está e me acostumar com esta nova realidade. Ainda tem por lá a tartaruga Ralfie e agora, provavelmente os esquilos voltarão a passear com tranquilidade pelo jardim, já que a 'dona da casa' não está mais ali para afugentá-los.

Mas, gente, triste mesmo foi o encontro rápido que tive também neste final de semana com uma moça, muito gente boa que eu conheço lá da cidade e que era massagista e durante algum tempo, utilizei seus serviços de shiatsu e drenagem linfática.
Eu olhei para ela e quase não a reconheci, estava com os cabelos curtíssimos e até bonitos, num corte moderninho, ainda um pouco inchada no rosto e no corpo por causa da cortisona que tomou e as medicações para o câncer de mama que teve ano passado, tendo que inclusive extirpar a mama esquerda. Ela é uma moça muito bonita, clara e cabelos loiros e ainda bem jovem, aproximadamente 40 anos.
Contou-me isso assim, de sopetão, e eu demorei até para assimilar tudo, me disse que ainda não teve como colocar a prótese, talvez falta de dinheiro, não sei, mas disse-me que iria fazer isso daqui há algum tempo e que estava se restabelecendo do furacão que passou em sua vida, quase levando-a embora deste mundo e prejudicando sua profissão de massagista.
Fiquei realmente penalizada e mais ainda quando me contou que o companheiro a deixou no meio disso tudo, no momento em que mais precisava dele, do seu apoio como ser humano.
Sujeito cretino, pensei eu e falei pra ela de imediato, sem me conter!

Cá entre nós, mas já repararam quantas mulheres se encontram numa situação dessas e são abandonadas pelo marido ou amante! Como são fracos alguns homens diante de doenças e da morte!
Já as mulheres, não! Pelo contrário, algumas até cuidam dos homens, mesmo tendo se separado muitas vezes antes e terem vivido algum tempo distantes, mas na velhice e na doença acabam retornando às suas antigas famílias, pois já vi e ouvi casos assim.
O mesmo ocorre com as mulheres que estão em presídios. Quase não se vê filas em visitas à presidiárias, mas passem na frente de um presídio masculino em dia de visitas. Estão lá, mulheres mães, amantes, esposas, filhas ou amigas. São bem mais solidárias diante da dor e do sofrimento humano, sem sombra de dúvida.

O fato é que fiquei também muito triste por ver a situação difícil em que aquela moça tão legal, trabalhadora e digna atravessou e não merecia de jeito nenhum o abandono. A isso juntou-se a tristeza com a morte da minha cachorra, então não foi um lindo final de semana, pois estive diante de casos em que mexeram com a minha cabeça e me fizeram pensar muito no sentido da vida e da morte e dos sentimentos que de uma hora para outra afloram em nossas vidas.

Li este ditado zen, tradicional do Japão e acho que serve bem para o momento:

"Precisamos aprender a morrer antes de morrer para começar a viver”



domingo, 15 de novembro de 2009

Adeus Emmyzinha!

Emmy
1997-2009


Ela se foi. Depois de um ano com um câncer ósseo na pata direita, detectado em dezembro do ano passado, nossa cadela querida Emmy, apesar de lutar valentemente pela vida, foi ceifada não só pela doença, como pela velhice e até mesmo a saudade que devia sentir do seu companheiro que foi antes em 2007, e até mesmo a nossa ausência diária, já que nos mudamos para Niterói há dois anos e meio, indo sempre lá aos finais de semana, mas tendo sido acompanhada diariamente por um senhor boníssimo e que adora bichos. Colocava a sua comida pela noite e pela manhã trocava a água e brincava com ela alguns minutos. Nas duas últimas semanas ela caiu muito e já não tinha forças para se levantar do lugar em que estava e sua qualidade de vida havia se esgotado, levantando-se apenas para comer e ficava no mesmo lugar do jardim que escolheu para quando alguém chegasse a visse imediatamente, mas já não levantava mais.

Na sexta-feira, chamei o veterinário que a levou para a Clínica, mas não resistiu e só aguardou a minha chegada para se despedir com um olhar que já não tinha mais luz nem vida, indo embora
naquela mesma tarde.

Apesar da delícia de clima que estava por lá estes dias e a presença de amigos e minha mãe e irmã lá em casa, não teve como não derramarmos lágrimas pela partida de tão nobre animal que deu em toda sua existência, muitas alegrias com sua vivacidade, cuidando de nossa casa com a presença que impunha respeito e admiração de todos que nos visitavam. Um belíssimo exemplar da raça Akita-Americano.

À Emmyzinha dedico este post e todo nosso coração saudoso. Ficará para sempre em nossa memória e, por enquanto, só quero lembrar dela pequenina como um ursinho panda quando a trouxemos para casa e fazia meu filho de 12 anos sorrir e viver agarrado à ela. Tenho muitas fotos lindas em álbuns de recordações que ficam na minha casa da serra e este final de semana andei revendo algumas e choramingando a ausência dela, mas entendo perfeitamente que ela foi um cão feliz, viveu 12 anos o que é bastante para um cão deste porte, morou sempre no mesmo lugar, nunca foi mal tratada, comeu da melhor ração até o final de sua vida, tinha o mesmo veterinário desde pequenina e todo o carinho da gente e de amigos que nos visitavam, porque ela se considerava gente e estava sempre presente nas reuniões e churrascos.

Adeus querida Emmy! Obrigada pelo seu amor durante todos esses anos.



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tudo pelo verde



O post de hoje não será lido por aqui e sim pelo blog que eu e a amiga Georgia administramos.
Movimento Natureza é o nome e o ponto de encontro de hoje.
Gostaria muito de encontrá-los por lá com seus comentários inteligentes e participativos de sempre.


Este final de semana estarei longe da Internet. Vou dar atenção aos meus bichinhos lá na serra e curtir mais a natureza bendita que eu amo tanto e sempre me acolheu, portanto nos veremos no domingo, mas não deixem de visitar o Blog Movimento Natureza que tem histórias lindas de amor e participação ecológica.



Como assim?


Tá estressado(a)? Vamos lá, acalme-se e ...
bom dia!